As mãos de Bion

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<<Wilfred Bion, foto encontrada no site: Centro de Desenvolvimento da Psiquê>>

 Resumo:
          No presente trabalho a autora oferece um resumo crítico de algumas teorias psicanalíticas sobre pacientes com distúrbios psicossomáticos, destacando o ponto de vista de W.R.Bion para o qual soma e psiquê representam apenas as duas faces de uma mesma moeda e para quem os sintomas psicossomáticos estão na base do aparecimento do indivíduo a partir do grupo primitivo ao qual continuará pertencendo.
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Abstract:
           A critical summary of several psychoanalytic theories about psychosomatic illnesses is here ofered. W.R.Bion’s point of view is also priviledged when this psychoanalyst ascertains that somatic and psychic events represent the two sides of a coin and argues that psychosomatic symptoms are the first step in the emergence of an individual from a primitive group from which he still continues do be a subject.
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01selo
Jansy Berndt de Souza Mello[*]
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-I-
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  As mãos de Wilfred Bion eram longas e expressivas. Mesmo assim, elas pendiam imóveis e tranqüilamente das bordas das poltronas em que se assentava. O rosto, redondo, estava quase sempre impassível. A pouca mímica poderia resultar de alguma particularidade do envelhecimento, mas creio que o rosto de Bion teria sido, sempre, inescrutável. O fogo concentrava-se no olhar, uma zanga que se contradizia no sorriso tímido. Seus olhos enormes tornavam incandescentes suas palavras e sua energia propagava-se por tudo que delas se aproximasse.
      As mãos de Wilfred Bion não gesticulavam. Faziam este signo da ausência de signos. Não revelavam segredos. Mas, às vezes, ele se servia delas para marcar ainda mais a força das suas idéias. Ao referir-se (diretamente) ao campo da psicossomática, ele as espalmava e as levantava, como a um cálice com a hóstia na transubstanciação.
Assim fazia com que suas mãos enfrentassem a platéia e, em seguida, voltando-as para si :
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– “Psicossomática” – dizia na ida;
– “Somapsicótico“- redizia-o na volta.
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             Realizava-se, ali, uma unidade [1]. Não se podia separar o corpo da mente. Ou o espírito da carne. No entanto, esta não era uma unidade definida. O mundo individual, a personalidade, era apenas mais uma estranha emergência, fugaz ainda que milagrosa, da operação de um grupo primitivo.
         Mesmo situado entre kleinianos, Wilfred Bion igualmente valorizava eventos de um tal “mundo interno” e eventos de uma realidade convencional muito embora, para ele, falar de “dentro” e “fora” era apenas uma maneira de dizer, um cochilo da imagem, uma primeira formulação em vias de se transformar. Bion deixou claro que o trabalho psicanalítico seria sempre um trabalho com o psicossomático. Com o somapsicótico, ou seja, com o proto-mental.
  Havia um poeta que Bion citava com frequencia, um padre jesuíta que lia os neoplatônicos e que se chamava G.M.Hopkins. Dos seus conflitos religiosos causados pelo choque entre o espírito e os chamados da carne, ele extraía seus poemas, perguntando-se “quais caminhos seu coração percorria quando adormecido, quais visões teria“.
            Como Hopkins, Bion queria ter acesso não só ao que o coração podia ver, como àquilo que via o coração. Queria comunicar-se com eles e, isso, numa linguagem ainda mais misteriosa porque pretendia, à interpretação, acelerar ou apaziguar diretamente os batimentos da alma, talvez dispensando as palavras, pequenas demais para tarefa tão grandiosa. Podemos ler a escrita do coração nos traçados eletrocardiográficos, mas nem assim alcançaremos sua mensagem. Pior ainda, nem assim a responderemos.
   A semiologia nos abre as portas para uma série de correspondências, possibilitando ao médico, por exemplo, acurados diagnósticos a partir dos sinais físicos por ele observados. Mas não podemos esquecer que estes sinais não substituem um objeto ausente, nem representam sempre um objeto presente e oculto. Assim como uma tirolesa pode saltar de um relógio-barômetro para indicar um tempo ensolarado, enquanto um tiroles de guarda-chuva apontar para as chuvas, esta rede de imagens terá pouca relação com a natureza do sol e da chuva. Entender a dança dos tiroleses mecânicos não é a mesma coisa que encontrar algumas marcas no solo e nelas identificar as pegadas de uma corça manca, perseguida por um tigre, embora a interpretação dos signos, nos dois casos, seja referenciada no simbólico.
 Um som cavo na palpação de um órgão pode indicar patologias diferentes, embora inicialmente tal ruído não seja, propriamente, um sinal, uma vez que o órgão está marcado pelas consequências concretas de uma diminuição da sua densidade. Nas psicossomatoses a mistura de patologias nos permite algumas leituras, mas nem todas oferecerão índices para o seu deciframento. Nas psicossomatoses, mesmo quando acertadas, as interpretações terão pouca ressonância para o doente. Apesar de fazerem sentido, como transmiti-lo para o oco do órgão no qual se originaram?
           Talvez por nunca terem o que dizer, as vísceras sempre digam a mesma coisa: sou coração, sou coração – ou – sou coração disparado – sou coração parando, por exemplo. Quem capta este sinal que remete a um código de significados e quem decifra o que um coração acelerado, ou quase parando, está sinalizando deum sistema não submetido à palavra, será quem empresta sua voz ao sentido que se cria. Mas não era disso que se tratava com Bion. E nem era disso que se tratava quando uma analisanda reclamou: “Tudo bem, o que você está dizendo faz sentido, mas de que me adianta saber disso?“.
       As razões do coração, como o queria Pascal, necessariamente não correspondem às razões do coração. É por este motivo que a fala do paciente, será sempre o melhor caminho para alguma descoberta, mesmo quando suas frases forem completadas pelo discurso do analista, até quando este nada disser.
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-II-
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  Para Freud, com quem tudo começou, as ocorrências da psicossomática não podiam ser elaboradas a partir das técnicas psicanalíticas. As doenças que marcavam o corpo eram mudas e sem significado inconsciente porque elas resultavam de um problema quantitativo apenas, ou seja, eram consequência do excesso de estímulos do mundo externo incidindo sobre um sistema frágil e traumatizável.
           Em seu modelo, Freud isolava as chamadas “neuroses atuais”, como a neurastenia, onde “o corpo sofre”, das “psiconeuroses” nas quais, como na histeria, “o corpo fala”[2]. Quando ele limitou a abrangência da psicanálise à psiconeuroses de defesa ( mas incluindo, com ressalvas, as perversões e as psicoses), era porque nas “neuroses atuais” os sintomas somáticos não passavam pela mediação simbólica, não surgiam pela ação do recalcamento e nem remetiam à história do sujeito. Eles seriam, sim, a expressão física, insensata, do desequilíbrio entre o indivíduo e o meio ambiente[3].
O bebê responde ao desprazer causado pelo excesso de estímulos, internos ou externos, através de uma descarga motora para, em seguida, buscar uma satisfação alucinatória no reinvestimento das suas lembranças. Num terceiro momento, seus progressos subsequentes se socializam através da sua dependência à mãe, que o ajuda a compreender e a nomear o que lhe dói e o que lhe traz prazer [4]. É portanto com ela que a criança aprende a dar e a esperar significados nos seus contatos com as pessoas e as coisas, introduzindo-se no universo da linguagem e no campo do simbólico. Este processo se distingue da simples produção de imagens alucinatórias ou de fantasias (no sentido dado a esta palavra por Winnicott[5] ), porque requer a inclusão de um mediador entre a criança e o que ela imagina.
  Quando se entende que “geralmente nós também adoecemos para alguém“, ou seja, quando se acredita, com Sami Ali e Dejours[6], na dimensão relacional de qualquer patologia, que abarca as relações primordiais da criança aos pais e a dinâmica familiar, está se sugerindo que as doenças sejam a expressão de alguma “neurose transferencial”, difusa. Neste caso, como poeticamente o sugeriu Rubens Volich, encontraríamos uma “voz no fim do túnel“. No entanto, existem espaços que a voz não ilumina. Porque não apenas adoecemos para alguém, como ainda sofremos apesar de alguém, ou por causa de alguém, a quem não sabemos como nos endereçar.
 
              Se podemos admitir, com Joyce McDougall (1994), “que os sintomas psicossomáticos constituem uma forma primitiva de comunicação, uma linguagem arcaica, decodificada primeiramente pela mãe“[7], cabe-nos verificar no entanto, quando esta decodificação esteve ausente na infância, se esta forma de comunicação se esvaziou de maneira transitória, ou se ela se deu de modo irreversível. Será possível, como o entendia W.Bion, que a révérie do psicanalista possa vir em suplência a uma incapacidade da mãe em transformar a experiência sensorial bruta, os elementos beta, em elementos alfa, quando os sintomas são predominantemente psicossomáticos?
 
               Não podemos explicar as somatizações a partir de teorias, como as do recalcamento, nem devemos considerar o conflito inconsciente como sendo a sua causa. Ainda assim podemos afirmar que, quando há uma falha na capacidade de pensar e de sonhar do indivíduo, o caminho de expressão dos afetos volta a ser o da descarga somática: “se as comunicações do corpo e suas mensagens afetivas são retidas ou mesmo completamente cortadas de seu registro psíquico, a vulnerabilidade psicossomática fica enormemente aumentada” (McDougall,1994).
                 Para se intervir nas patologias psicossomáticas, mais do que devolver um sentido oculto ao sintoma, é preciso recriar-se um campo para que algum sentido possa nele se produzir. Mais do que buscar uma representação dada, deve-se estimular a geração de sentido e a experiência dos afetos [8].
 
                Marty e M’uzan, da Escola Psicossomática de Paris propuseram o termo “pensamento operatório” para caracterizar um pensamento consciente que não se associa à atividade onírica e fantasmática e, assim, apenas reproduz ou ilustra uma ação. Sob a aparência de uma história de sucesso profissional e de sofisticação intelectual muitas vezes encontramos uma alguém que não apenas se distanciou de si mesmo, mas que é incapaz de apreender a verdadeira dimensão da existência de um outro ser, de um ” não-eu, semelhante” e de lhe dirigir um chamado. Como o afirmam Marty e M’Uzan[9], “o pensamento operatório parece desconsiderar, ou levar a um curto-circuito, toda atividade fant
asmática elaborativa, para articular-se com as formas iniciais das pulsões as quais podem retornar inesperadamente ou dar lugar a somatizações ou ainda se manter sob aparências rudimentares numa predominância da tensão atividade-passividade tão comum nos doentes psicossomáticos. A pesquisa deve, então, voltar-se sobre a qualidade das fantasias inconscientes
“. Estes pacientes não tem como referência um objeto interno vivo e a atividade do seu pensamento prende-se às coisas, nunca aos produtos da imaginação ou às expressões simbólicas. Apalavra que acompanha seus gestos não dá sentido à ação que realizaram, uma vez que ela “não faz nada além de repetir o que a mão fez trabalhando“.
               Para Orsucci, as “operações mentais realizadas com objetos reais pelo pensamento operatório“, assim como “qualquer processo terapêutico no campo da psicossomática, precisam se encaminhar, em reviravoltas complexas, entre o real, o imaginário e o simbólico“, uma vez que “as condições de acesso à expressão social do sofrimento devem ser construídas na realidade” [10]. Ele propõe a aceitação de modelos científicos não-lineares para se compreender o que se passa no campo da psicossomática, na medida em que “se a expressão das emoções pode aumentar a complexidade dos sistemas cognitivos e fisiológicos, sua consequência lógica exige a redefinição da alexitimia e dos estudos a ela relacionados à luz da teoria do caos“.
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– III –
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Se, como o entende McDougall, “a somatização como resposta à dor mental é uma das respostas psíquicas mais comuns de que o ser humano é capaz“, ela é uma modalidade de resposta que, em diferentes épocas, qualquer pessoa pode apresentar quando se defronta com uma tensão insuportável. Esta psicanalista considera como o doente psicossomático apenas aqueles nos quais “as manifestações somáticas constituem a reação mais habitual a todo aumento de tensão psíquica“, assim como Marty e M’Uzan, que designam tais casos como “psicossomatoses”.
             McDougall acredita que os processos que operam na somatização se assemelham aos processos oníricos e considera o sintoma psicossomático como um “sonho malogrado”. Se, argumenta McDougall, os sonhos foram considerados por Freud como um modo de expressão regressiva arcaica, deveser “possível encarar o sintoma psicossomático também como uma linguagem do corpo primitivo, uma gramática pela qual o sistema nervoso é programado filogeneticamente em todos” [11].
                 No entanto, a sobredeterminação promove uma complexa rede de sentidos e, desde Freud, reconhecemos que o sentido de cada sonho não pode ser esgotado, porque há um infinito que absorve o esforço de isolá-lo da rede de significações da qual se originou. Como ganhar acesso a essa “linguagem do corpo primitivo” senão, exatamente, escapando aos jogos do sentido?[12]
                 Com certo humor W.Bion observava que, se havia pessoas que sofriam de um excesso de saúde física, existiam ainda aquelas que sofriam por um excesso de saúde mental! Não sei se ele estava se referindo aos doentes psicossomáticos como sendo estas pessoas com um “transbordamento de saúde mental” pois eles são, de fato, os que padecem por serem flexíveis, prestativos e adaptáveis, embora dominados pelo senso de realidade[13].
                      Segundo Marty e M’Uzan no pensamento operatório dos doentes de uma “psicossomatose”, o processo secundário predomina a ponto de deixar severamente prejudicado o processo primário, deixando-os incapacitados para sonhar, ou para relatarem seus sonhos através das associações que levam ao cerne dos afetos e das significações inconscientes. Para estes psicanalistas, os somatizadores padecem de “uma suspensão arcaica do processo primário“[14], como se isto fosse teoricamente possível[15].
                        Entendemos que toda doença, em sua gênese, deva ser considerada como sendo psicossomática. A divisão entre um corpo e uma mente adviria num segundo momento, no próprio processo de diferenciação das experiências vividas e registradas. É neste ponto que o conceito freudiano de apoio (Anlehnung) adquire toda sua complexidade: as necessidades do bebê podem ser atendidas no plano do corpo e da sua fisiologia, ao mesmo tempo em que o registro psíquico de algum excesso ou carência se instaura. Assim, um desencontro entre a satisfação física e a vivência de prazer determina o campodo que será designado como sendo o físico e o mental. Mais tarde o processo se faz no sentido contrário e o corpo, agora erotizado, é movido pela ação dos significantes. É quando a divisão novamente se faz, não mais entre o físico e o psíquico, mas no sujeito, sempre incompleto no seu dizer de si.
                     Afirmar a unidade psicossomática implica em admitir que, quando cessa a vida física, cessa com ela a vida mental, assim excluindo do campo psicanalítico as questões ligadas à fé. Na morte a unidade psicossomática se desfaz e temos o corpo sem a mente e, quem sabe? , a mente sem o corpo. No entanto, tais considerações escapam da alçada do psicanalista, cujo trabalho se realiza na vida, enquanto força e representação e para a vida, até mesmo quando ela cultiva a morte.
                       A necessidade de reafirmar aqui esta unidade psicossomática prende-se à intenção de fazer referência, ainda que superficialmente, aos problemas criados pela aplicação do dualismo cartesiano às teorias freudianas[16]. Porque, em outra visada, também entendemos, com Lacan, que não há um ser indiviso e total, mas uma falta-a-ser do sujeito passível de ser considerado “não em sua totalidade, mas em sua abertura“[17]. É porque somos incompletos que saímos do nosso isolamento, antes fantasiado como sendo pleno e perfeito como um ovo ( na feliz imagem de Freud ) e buscamos o desconhecido. É quando se produz o desejo enquanto “uma relação do ser com a falta. Esta falta é falta-a-ser, propriamente falando. Não é falta disto ou daquilo, porém falta-a-ser através da qual o ser existe“.
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-IV-
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Para Freud a pulsão, entendida como se situando na fronteira entre o físico e o mental, se exprime em dois registros: o do afeto e o da representação. Estes, afeto e representação, podem se desligar e assim, torna-se possível encontrar afetos sem representação e representações sem afeto. Os afetos podem sofrer uma conversão em descarga corporal ( como na histeria de conversão ), passar por deslocamentos (como na neurose obsessiva) ou serem transformados ( como nas somatizações e na melancolia).
               O termo afeto não se aplica, em Freud, aos nossos sentimentos de “afeição”, mas descreve as nossas “afetações”, estados emocionais que podem tanto ser agradáveis como desagradáveis, vagos ou específicos, mas que remetem à nossa subjetividade. Assim, os afetos representam uma modalidade de descarga da tensão psíquica que tem ressonância emocional e possibilitam a expressão qualitativa das quantidades de energia pulsional[18].
                      Freud (1926) ainda nos ofereceu uma hipótese genética, segundo a qual os afetos seriam “reproduções de acontecimentos antigos de importância vital e eventualmente pré-individuais” comparáveis aos “…acessos histéricos universais, típicos e inatos”. Encontramos, nesta proposta, algo que se assemelha ao que Bion descreve para a presença do proto-mental, insistindo em cada indivíduo.
                   O afeto requer acima de tudo a elaboração psíquica das vicissitudes pulsionais e ambientais, possibilitando sua representação e tornando suportável a angústia que emerge como afeto elementar em resposta aos traumatismos das pulsões e do meio-ambiente. Como forma de descarrega dessa angústia, os afetos tanto podem encontrar uma saída viciosa pelo corpo que então adoece, quanto podem ganhar uma expressão física que lhes corresponda. Representados em suas associações com as fantasias, da mesma forma, podem tanto ser estereotipados ou oferecerem colorido e profundidade ao pensamento.
                       Atualmente a psicanálise se encaminha pelas diferentes propostas contidas na própria obra freudiana, por trilhas divergentes: Melanie Klein privilegiou os afetos, W.R.Bion trabalhou sobre as representações e Lacan seguiu a via aberta pela linguagem. No entanto, grande parte do que se refere à compreensão dos distúrbios psicossomáticos ainda permanece em aberto, numaépoca em que “as retomadas ativas da visão de mundo romântica desafiam um tanto ingenuamente a complexa arquitetura montada nas ciências sociais ao longo do século“[19].
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 Por: Jansy Berndt de Souza Mello

 

Bibliografia
 
Bion,W. : “Experiências com grupos” , 1970, Rio. Ed.Imago
Capra, Fritjof: The Web of Life , Harper and Collins, Flamingo, 1996.
Duarte, Luiz Fernando D. E Ana Teresa Venancio ( 1995) “O espírito e pulsão (o dilema físico-moral nas teorias da Pessoa e da Cultura de W.Wundt) ” in Estudos de Antropologia Social, no.1.
Freud, S. ( 1925): “Inibições, Sintoma e Angústia” ESB vol. XXV. .
Gabbi JR., Osmyr Faria: A Linguagem como Sintoma ,1993, palestra realizada no Instituto de Psicanálise da sede Brasília da SBPSP.
Laplanche, J. ( 1980): “A Angústia”, Problemáticas I.,SP, Ed. Martins Fontes,1987
Lacan, J. : Seminário 2, 1956. Ed. Zahar.
Marty,P. E M”Uzan,M. “O pensamento Operatório”. Rev. Bras. Psicanál. Vol.28(1),1994, p.165-174
McDougall, Joyce: “Corpo e linguagem. Da linguagem do soma às palavras da mente”. Rev.Bras. Psicanál. Vol.28(1),1994, p.75-98
Mota, Regina Lúcia Braga: Resistência à análise em paciente com diagnóstico somático de malignidade ( apostila de palestra realizada no GEPB-Brasília, maio de 1998)
Orsucci, Franco : The Nachträglich Effect and Access to Psychosomatic Events ( 1996) apostila de trabalho apresentado na International Conference of the Society for Chaos Theory in Psychology and Life Sciences, UCLA,Berkeley, USA
Volich, Rubens M., Flávio C. Ferraz e M.Auxiliadora Arantes (organizadores): “Psicossoma II – Psicossomática psicanalítica”. Ed. Casa do Psicólogo,SP, 1998.
Winnicott, D ( 1949) “A mente e sua relação com psique-soma” In: Da Pediatria à Psicanálise, Rio. Ed. Francisco Alves, 1978.
Zusman, Waldemar: ” Opção Sígnica e o Processo Simbólico” . Rev. Bras. Psicanál. Vol.28 (1), 1994.p.153-163.
 

Notas:

[*] Psicóloga, Psicanalista. Membro da SBPSP. Trabalho apresentado na II Jornada Goiana de Psicanálise, em setembro de 1998. A ser publicado na Revista ALTER, do GEPB, Brasília, no mes de maio.
[1] – Escreveu Fechner: “Apenas, se a ciência da natureza nos entrega a totalidade, ela só o faz de um lado, de um certo ponto de vista; o que ela deixa de lado não está perdido, mas encontra-se tanto melhor do outro lado, segundo o outro ponto de vista”. Cf. Duarte, L.Fernando e Ana T. Venancio”( 1995) in “O espírito e a pulsão”, pág. 9
[2] – Kreisler, L. ( 1981) : A criança e o seu corpo. Ed. Zahar, RJ. ( Citado por Wagner Ranña: ” Pediatria e Psicanálise, .in Psicossoma II, pág. 122).
[3] – O que fica bastante claro desde 1895, nas cartas a Fliess, particularmente no rascunho G, “Sobre a Melancolia”.
[4] – “alexithymia”, um construto importante das modernas teorias da psicossomática, significa literalmente “sem palavras para a emoção”. Este termo foi cunhado por Nemiah e Sifneos . Atualmente, ele vem sendo substituído pelo conceito de “pensamento operatório”( Marty ) e de “somatização”( McDougall). Penso que este processo também pode corresponder ao que W.Bion denominou de “reversão da função alfa” e a criação de uma “tela beta”.
[5] – a fantasia é entendida por Winnicott como “uma atividade mental dissociada caracterizada por um pensamento circular e fechado em si mesmo, estático, que absorve grande parte da energia mental e é inaccessível ao resto da personalidade do indivíduo” e, por isso, ela distingue-se da experiência de sonhar. Cf. Decio Gurfinkel in Psicanálise e Psicossoma: notas a partir do pensamento de Winnicott, in Psicossoma II, Casa do Psicólogo Livraria e Editora Ltda. ,1998, pág. 103.
[6] – Volich, Rubens M. : Uma voz no fim do túnel: reflexões sobre a formação em psicossomática, in Psicossoma II, op.cit., pág. 223/4.
[7] – McDougall, Joyce in.op.cit. 79.
[8] – Gabbi,Jr. : A Linguagem como Sintoma, 1993.
[9] – Marty, Pierre e M. De M’Uzan : “O Pensamento Operatório”. Rev. Bras. Psicanál ( 1994) vol.28 (1),pág.171.
[10] – Orsucci, Franco, in op.cit. pag.6
[11] – McDougall, J. In op.cit. pág. 97
12 – Talvez possamos arriscar a suposição de que será exatamente porque lhes falta a fantasia ( agora emprego o termo seguindo sua formula lacaniana , ou seja, daquilo que fixa o deslizamento interminável da cadeia significante, segundo um modo particular a cada sujeito), que estes pacientes “fixam o sentido” insuportávelmente cambiante , cravando-o no corpo.
[13] – Na minha experiência é comum observar casamentos entre doentes psicossomáticos e pessoas muito neuróticas, ou até psicóticas, que exigem deles “bom senso” e tolerância. Será que podemos entender que os excessos de “saúde psíquica” e “física” , descritos por Bion, podem tentar se equilibrar através da efetivação destes casamentos?
[14] – Cf. In op.cit. pág.170/173.
[15] – Embora minha leitura de Freud me impeça de aceitar a idéia de uma “suspensão do processo primário”, creio que há uma observação clínica importante obscurecida pela escolha deste modelo de formulação.
[16] – Para um desenvolvimento preciso destas questões, remeto ao trabalho “O espírito e a pulsão ( o dilema físico-moral nas teorias da Pessoa e da Cultura de W. Wundt) “( 1995), de Luiz Fernando Duarte e Ana T. Venancio, quando eles destacam no pensamento de Wundt o jogo das oposições entre o ‘físico’ e o ‘moral’ na constituição do humano; entre o ‘individual’ e o ‘coletivo’ na experiência histórica e entre a “fragmentação implicada no conhecimento científico experimental e a necessidade de reconhecimento da totalidade da experiência humana”( pág.2). Assim, escreve Wundt: ” reconhecemos a realidade imediata dos fenômenos na experiência psicológica . O nosso conceito fisiológico de um organismo corporal, por outro lado, não é senão parte dessa experiência, de que dispomos – tal como com todos os outros conteúdos empíricos das ciências naturais – ao presumir a existência de objetos independentes do sujeito cognoscente” ( apud Duarte, LF, in op. cit. pág.13).
[17] – Lacan, J. : Seminário 2, Ed. Zahar, 1956, pág. 280 e 307.
[18] – Cf. Laplanche e Pontalis in Vocabulário da Psicanálise (1971). Ed.Martins Fontes, 1991, pág.9.
[19] – Duarte, L.F. e Ana Venancio, in op. cit. pág.27.
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As mãos de Bion
Notícia publicada em: 2004, Thursday, April 01 @ 03:00:00 BRT
Tópico: Trabalhos sobre psicossomática

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