Tudo

 

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.<<Aquarela de Agnes Cecile>>

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       O dia estava escuro. Era de manhã, mas parecia estar anoitecendo. As nuvens, carregadas de lágrimas, estavam para começar a chorar e encharcar as ruas úmidas e vazias daquela cidade. Era uma visão dramática e melancólica para qualquer um que ousasse passa por ali.

    Havia um alguém, entretanto. Uma mulher. Ela corria, abraçando-se como se estivesse amparando a si mesma do céu que agora estava a desabar sobre seus cabelos lisos e sem volume algum. De repente, ela para. Assustou-se com algo. Ela olha para o chão e vê seu reflexo em uma das poças formadas pela chuva. Não havia nada de extraordinário. Naturalmente, ela estava toda molhada. Mas o que a estava inquietando não eram suas roupas e cabelos ensopados. Aquela imagem espelhada na inocente poça d’água era perturbadora. A mulher estava enojada com o que via. Mas o que é que ela via? O que poderia ser tão ruim? Seu mundo. Foi isso que a causou tamanho incômodo. Naquele reflexo ela viu tudo. Tudo. Tudo. Tudo. E se arrependeu de tudo. Tudo. Tudo. Tudo. E o que é que seria esse tudo, afinal? Ora, leitor, faça essa pergunta a si mesmo. Que tudo você viu no seu reflexo?

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Por: Juliana Falcão

Agosto de 2012

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Tudo

Notícia publicada em: Wednesday, August 29 @ 19:43:15 BRT

Tópico: Literatura

 

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