Foto: Acervo Pessoal – Jansy Mello

Autora:

Jansy B S Mello

Caderninhos

Nos anos sessenta era costume anotar as datas dos aniversários dos parentes e amigos em caderninhos ilustrados com flores, versos ou aforismas.
Folheá-los dava-me uma felicidade dengosa, como não mais o sinto hoje ante as sabedorias em gif que aparecem no celular.
Talvez eu estivesse então menos inundada de notícias e conselhos porque levava a fundo quase tudo que lia.
Uma frase favorita veio de Goethe (“o que sabes todos podem saber, só é teu o que tu sentes”).
Uma outra, e não me lembro quem a escreveu, virou artigo de fé e dela, como fantasia difusa, ainda não me desfiz. Dizia que quando o pensamento de alguém promovesse um avanço na compreensão do mundo seria a humanidade inteira que daria um passo à frente. Com o besteirol da política atual comecei a temer que o oposto talvez pudesse ocorrer também: a cada pronunciamento estúpido o mundo inteiro regridiria um passo.
Espero que isso não aconteça desse modo, que os avanços sejam conquistas irreversíveis. A situação está feia, seria desesperador!

Autora: Jansy B S Mello