Algumas vezes sinto as limitações do meu confinamento, mas a rotina da casa ajuda a esquecê-lo e a felicidade entra pelas frestas das minhas distrações.

Outras vezes sinto uma opressão culpada: será que higienizei o ambiente corretamente?

Nessas horas, em vez de confinada, me sinto acuada e desprotegida. Muita limpeza provoca isso em mim, a esterilização não ataca só os micróbios que me ameaçam. Pega outros junto.

Será que humoristas, como o Mauricio com o Cascão ou o Schulz com o Pig Pen introduzem personagens sujinhos para garantirem a vida desses outros microbinhos?

Athanasius Kircher. Magma no interior da Terra. Ilustração do século XVII.
Cf Wikiwand.

Não vejo corvos ou abutres voando no céu de Brasília, sinalizando os males que podem estar emanando da praça dos Três Poderes.

Um outro bicho, concreto e zumbeteiro, está me preocupando porque nunca me deparei com tantos na sala e na cozinha da minha casa. Mantenho tudo desinfetado com lysoform, alcool, água e sabão, pano de chão com água sanitária, o lixo trancado nos sacos e nas lixeiras.

O SLU está em dia no Lago Sul, então por que tem tantas moscas varejeiras atravessando os ares??? De onde vem? Qual a sujeira que transportam e, pior, parece que buscam neste bairro??? Horror visível que me faz sair com inseticidas, esponjas e perplexidades.

Afinal, vale investigar, mas como? Um mundo imundo sinalizado no varejo e que ainda está invisível em Brasília!!!

Autora:

Jansy B S Mello