Foto por: Jansy Mello

Autora:

Jansy B S Mello

Lacan, a transferência fora da análise e a rosa.

Um parágrafo de Lacan, em seu seminário sobre a Transferência, me parece ser mais misterioso que todos os outros, provavelmente porque nele leio uma questão mística, ou então mítica, que contraria outra asserção dele sobre o amor, visto ali como sendo sempre reciproco ou especular, porque narcísico.

Consegui recortar a frase que buscava (não senti os efeitos dela na tradução para o português). Não sei se entendi, de tanto querer experimentar de novo aquilo que me atingiu quando a li pela primeira vez.

[…] é o oitavo ou décimo ano em que me aproximo da transferência. Eu acho que você verá que esse longo atraso não foi sem razão >> Jacques Lacan Seminário VIII, Transferência, sessão de 16 de novembro de 1960
<< Eu tenho o direito de apresentar isso, materializá-lo diante de você, completar sua imagem, para realmente torná-lo um mito. E esta mão que se estende em direção à fruta, em direção à rosa, em direção ao tronco, que de repente arde, [tenho o direito] de lhe dizer que é o gesto de alcançar, de atrair mexa, está intimamente ligada ao amadurecimento da fruta, à beleza da flor, à labareda do tronco, mas que, nesse movimento de alcançar, atrair, mexer, a mão está voltada para Se o objeto estiver longe o suficiente, se da fruta, da flor, do tronco, uma mão se estende para encontrar a mão que é sua, e que nesse momento é a sua mão que congela. A plenitude fechada do fruto, a flor aberta, na explosão de uma mão flamejante, o que acontece aí então é o amor! >> Jacques Lacan Seminário VIII, Transferência, sessão de 7 de dezembro de 1960

Tradução por Fati

Debate:

Fati: Estou aprendendo com um amigo um dialeto Italiano do cantão Suíço. E de forma auto didata o Galego da Espanha, que amo escutar a sonoridade

Jansy: As diferentes línguas tem encantos únicos.

Fati: E por que ele temia a transferência? Por que desejava ? Que parágrafo cheio de lógica afetiva. Muito interessante.

Jansy: Não sei se ele temia a transferência. Se fosse isso, o que nunca me ocorreria pensar, só ele para lhe responder

Fati: Transferências das funções complexas em lógicas afetivas. Injetar e bijetar afetos nos conjuntos dos vazios, buscando o canto dos limiares, encontrados nos setores dos sentidos dos outros e nos revelando como ambientes. A perda total do controle, o participar do caos maravilhoso da vida, como fosse o explodir de estrela, energias, ânima misturando em ânimus, onde o significado se funde ao significante e o signo existe como conectado e engendrado. O nada.

Jansy: Não entendo nada do nada

Fati: Não há entendimento no nada

Fati: Porque não começou a movimentar está latente sem estrutural. Não tem afeto, não movimenta, então não tem ação e se não tem ação, não tem lógica. Ente onde tudo foi e o nada é. Não define, possibilita. Liberdade sem arbítrio. Liberdade sem pensamento. Não tem premissa e nem posteriore.

Fati: Consigo ter universos algébricos deste tipo em máquinas não supervisionadas, nomeadas como de aprendizado extremo, sem treinamento só com Perceptrons. Posso marcar o ponto onde começa a primeira interação, e percorrer todo caminho das funções de transferências em lógicas afetivas ambientais, mas não começam sempre no mesmo lugar as interações. E qualquer dos R dimensionais podem conter a convergência numérica da simplex. Sei que não são ilusões porque não tem convergências globais ou locais sensíveis a Testes de Noise (ruidos). E as predições mesmo que em distribuições randômicas, categóricas, normais ou complexas, acontecem com EQM baixo, reduzem bem os campos vetoriais de erro preditivo e simulativo.

Fati: Com testes de malhas posso indicar provavelmente, pois ainda não estão prontas, a tendência ou “tropismo” de área dimensional. Não sei se sou capaz de concluir ou se terei vida biológica suficiente para resolver, provar, aplicar e validar em biologia.

Jansy: Tomara que sim

Fati: Lindo parágrafo!! O momento do toque na própria navalha do pensamento. E depois o que está escrito na sequência, não conheço o texto? Gostaria de saber o que ele escolheu. Não é uma escolha fácil.

Jansy: Seminário 8. // https://www.saraiva.com.br/o-seminario-livro-8-a-transferencia-356247/p

Carlos Wigderowitz: Toda relação é transferencial e necessita do pressuposto narcísico…

Jansy: Freud utilizou o termo de modo específico durante o processo de análise. Então a palavra deixa de ser qualquer. Uma das tomadas é a de reviver episódios da infancia ao repetir seus padrões na sessao e projetando no analista a figura chave, parental ou surrogate.

Carlos Wigderowitz:  Eu sei, e talvez nos discordemos aqui, mas minha visão é que nosso “modo relacionante” se origina da relação edípica do bebê que forma a nossa estrutura de personalidade (mais on messenger se você quiser). A relação terapêutica não se dá por causa da transferência propriamente, já que ela ocorre em todas as outras relações, mas porque o espaço psicanalítico permite que está transferência seja trabalhada. De acordo com Freud para a cura, mas também aqui eu acho um dos grandes pontos não resolvidos ( trocadilhos a parte) da questão Freudiana do que constitui cura ? De novo meu entender é que o processo é “quase-educacional” neste sentido e não tem cura nem fim definidos…

Carlos Wigderowitz: (envio da frase abaixo)

Jansy: Prefiro debater outras questões porque nossos pressupostos teóricos são muito diferentes.