Foto por Justin Kauffman

Autora:

Jansy B S Mello

Pinheiral

Cresci lendo contos de fadas nos livros que vinham com cenários tipicamente europeus, das florestas onde João e Maria se perderam, dos castelos da Branca de Neve, com lobos, ursos e uma flora como nunca a encontrei no Rio de Janeiro.  

Adulta, fiquei surpresa com uma reportagem sobre as florestas de pinheiros onde explicavam como a acidez das agulhas verdes das árvores impedia as brotações de qualquer outro tipo de vegetação que não fosse a delas mesmas. 

À minha volta, em vez dessa simetria azeda, havia a desordem da Mata Atlântica que abraçava todo tipo de broto. Que contraste aos batalhões de pinheiros (aqui no Brasil são trocados pelos eucaliptos), algo que custei a perceber como sendo o milagre da nossa biodiversidade, mágica e liberadora.  

Falta-me talento para ampliar meu susto ante essa tirania atual que, até na natureza, vem se propagando para apagar muitas formas preciosas de vida.  

Queria muito conseguir fazer um alerta que seja eficaz o bastante para que nossas matas nativas e nossas Florestas Amazônicas, que aqui uso para representar os 70% dos que se posicionam contra a ditadura, se sustentem nas suas diferenças e que convivam com um mínimo de harmonia para assim combaterem o pinheiral daqueles que esmagam o que não seja igual a eles.  

Autora: Jansy B S Mello